As principais classes de vela e seus barcos

A vela é um dos desportos olímpicos mais competitivos e entusiasmantes no panorama desportivo mundial. Conheça as principais classes de vela e os seus barcos e saiba como estes têm tido um papel preponderante para atrair cada vez mais pessoas a este desporto de aventura.

São várias as classes de vela e os barcos que as constituem. Conheça as principais:

A classe 420

A classe 420

A classe 420 é uma classe internacional de embarcação à vela e surgiu em meados da década de 60, graças aos desenhos de Christian Mayry. Esta classe veio substituir, de certa forma, os barcos velhos e pesados de madeira e criaram uma nova filosofia de barco ligeiro e económico.
O seu nome deve-se ao comprimento que ostenta, nomeadamente 4.20 metros. Não se trata de um barco de iniciação, mas o seu manejo não requer um nível avançado de conhecimentos. Como tal, é uma boa embarcação de desenvolvimento para os que pretendem velejar numa classe um pouco mais acima, como por exemplo a classe 470.

A classe 470

A classe 470

A classe 470 é uma classe olímpica de vela que é disputada em provas femininas e masculinas. Trata-se de uma das classes que mais tem crescido nos últimos anos em matéria de popularidade e em número de velejadores. Esta tendência deve-se essencialmente ao esforço da nova geração de velejadores que têm feito carreira nesta classe e nas provas internacionais , como o português Gustavo Lima e os brasileiros Marcos Soares e Eduardo Penido.

O 470 é um barco que foi inventado no século XIX (1863), pelo francês André Cornu e apresenta 4.70 metros de comprimento, 4.40 metros de largura na linha de água e um mastro de 1.68 metros de altura. Esta classe tem três velas de área 9.12 m², 3.58 m² e 14.30 m².

É uma classe projetada para ser praticada por dois tripulantes, o seu peso deve estar entre os 110-145 kg e são barcos conhecidos por serem muito rápidos e sensíveis ao movimento de corpo dos velejadores.

A classe 49er

A classe 49er

A classe 49er é uma embarcação olímpica recente, pois surgiu apenas nos Jogos Olímpicos de Sydney, no ano de 2000. É uma embarcação tripulada por duas pessoas que se penduram nos respetivos trapézios. É uma classe muito conhecida e o seu barco caracteriza-se por ser extremamente rápido e para o dominar é necessário que os seus tripulantes tenham uma técnica aprimorada e uma magnífica coordenação de movimentos.

De uma forma mais particular, um barco da classe 49er tem um comprimento de 4.99 metros, uma largura de 2.9 metros e o peso do casco é de 94 kg. O barco é composto por um casco fechado, tipo prancha de windsurf, com duas asas extensíveis.

A classe Dingue

A classe Dingue

A classe Dingue não é ainda uma classe olímpica, mas é uma das que mais adeptos tem. Esta tendência verifica-se graças aos preços dos barcos (aproximadamente 3,000 euros/6,754 reais), mas também à sua aparência, pois tanto parecem ser de competição, como de recreação. O barco da classe Dingue foi construído em 1978 e tem uma vela única. O barco possui um comprimento total de 4.16 metros, largura de 1.66 metros e o peso do casco é de 85 kg. Se pretender, o tripulante pode anexar um pequeno motor na popa do barco e assim apreciar a beleza cénica que o alto mar proporciona.

A classe Dragão

A classe Dragão

A classe Dragão foi desenhada em 1929 por Johan Anker e cedo se transformou numa classe de referência no desporto náutico. Trata-se de um barco à vela para três pessoas e manteve-se como classe olímpica até aos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Os barcos que são utilizados na classe Dragão têm velas compridas e elegantes, uma característica única que sempre acompanhou a construção destes barcos. No entanto, agora os materiais são mais duráveis e de fácil manutenção.

A classe Europe

A classe Europe

A classe Europe é a categoria com dimensões mais reduzidas nas competições olímpicas, ela é conhecida como o “pequeno Finn”, dadas as parecenças entre as duas estruturas. O barco que é utilizado nesta classe possui um comprimento total de 3.35 metros, o peso do casco é de 63 kg e tem uma vela de 7 m². Nos jogos olímpicos, a classe Europe é disputada pelas mulheres.

A classe Flying Dutchman

A classe Flying Dutchman

O Flying Dutchman é uma classe de vela ligeira e de alta performance. Trata-se de uma embarcação olímpica que se destaca, graças aos seus 20 metros de comprimento. Esta classe foi desenvolvida nos anos 50 e teve a sua estreia olímpica em 1960, nos Jogos Olímpicos de Roma, em Itália. O barco que é utilizado nesta classe, continua a ser hoje um dos trapézios mais rápidos do mundo. Para além da vela grande, dispõe de genoa e balão e apresenta uma mastreação muito complexa.

A classe Laser

A classe Laser

A classe Laser é a classe olímpica mais popular do mundo e as suas características principais são a sua simplicidade de construção e o baixo preço do barco que tem o custo aproximado de 1.325 euros/3.000 reais. Trata-se de um barco tripulado por um velejador, é muito veloz e pode planar em dias de muito vento. A classe Laser tem um casco com 4.23 metros de comprimento total, 3.81 metros de comprimento na linha de água e pesa 57 kg.

O Laser é subdividido em três subclasses distintas:

  1. A classe standard, que é a modalidade olímpica masculina que tem 7.06 m2 de área de vela e foi desenhada para ser velejada por um iatista com mais de 80 kg;
  2. A classe radial, que é a modalidade olímpica feminina que apresenta 5.76 m2 de área de vela;
  3. A classe 4.7 que faz a ponte entre a classe optmist para a radial ou standard.

A classe L’equipe

A classe L’equipe

A classe L’equipe possui três velas e é tripulada por dois velejadores, nomeadamente o proa que fica à frente, trabalha no estai e no balão e o leme que trabalha com o leme e com a vela grande. A primeira vez que o barco L’equipe navegou em alto mar, foi no ano de 1981 e foi desenhado por Marc Laurent. Este barco é inspirado no conhecido Flying Dutchman e as suas linhas são muito parecidas com este último. O barco é de simples manejo e tudo é simplificado de modo a poder ser utilizado por iniciantes. É uma embarcação bastante leve e com várias afinações, o que faz com que este seja um barco com uma navegação bastante técnica.

A classe Lusito

A classe Lusito

A classe Lusito é uma classe histórica em Portugal. Tratou-se de uma das primeiras embarcações utilizadas no ensino e na prática da vela como desporto em Portugal. O barco da classe Lusito surgiu nos anos 40 do século XX e foi criado por Rodolfo Fragoso e pelo Mestre Carpinteiro João Brites. É um barco de dimensões reduzidas, com apenas 2.45 metros de comprimento, com o mastro e a retranca ocas, com vela grande e estai concebido para um tripulante. Estas características fazem com que este seja um barco muito leve e veloz.

A classe Optimist

A classe Optimist

A classe Optimist é constituída por um veleiro de pequenas dimensões e pode ser feito em madeira ou em plástico. Trata-se de uma pequena embarcação que apresenta 2.34 metros de comprimento, 1.13 metros de largura e tem o peso total de 35 kg. Este barco foi concebido em 1947 por Clark Mills e o seu objetivo principal era tirar as crianças da rua e colocá-las a velejar em alto mar. Daí o motivo do Optimist ser recomendado para crianças entre os 7 e os 15 anos de idade (desde que o seu peso não exceda os 65 kg). Este barco é conhecido como a caixa de fósforos da navegação à vela e graças à sua segurança e estabilidade, o Optimist é uma das classes mais difundidas do planeta.

A classe Raquero

A classe Raquero

A classe Raquero é uma embarcação destinada ao batismo náutico dos mais jovens e destina-se a todos os que tenham entre 6 e 14 anos de idade. Esta embarcação foi desenvolvida pelos estaleiros Polysier na Galiza, nomeadamente em Vigo, e foi criada como alternativa à caravela. O Raquero foi desenvolvido para ser um barco escola e tem uma lotação máxima de 6 pessoas. A um nível mais técnico, o Raquero apresenta uma mastreação mais complexa, tem trapézio e vela balão.

A classe Snipe

A classe Snipe

A classe Snipe é considerada a mais técnica de todas as classes de barcos à vela e também uma das mais tradicionais. O barco foi projetado em 1931 por William Crosby e, no ano seguinte, foi fundada a Associação Internacional de Corridas da Classe Snipe (SCIRA) e o Snipe tornou-se oficialmente uma classe de competição. Trata-se de um barco muito simples, versátil e de fácil transportabilidade. É um barco monótipo de 4.72 m de comprimento, para dois tripulantes (timoneiro e proeiro), com um mastro e duas velas. É uma das classes da vela que participa dos Jogos Pan-americanos e é uma das que mais títulos mundiais deu ao Brasil, com velejadores como Eric Schmidt, Nelson Piccolo, Torben Grael e Maurício Santa Cruz.

A classe Star

A classe Star

A classe Star é uma das classes mais populares e mais antigas no desporto náutico. Trata-se de uma classe olímpica que está prestes a completar um centenário (nasceu em 1911). Os primeiros barcos foram criados por Isaac E. Smith e até hoje a estrela encarnada mantém-se como a sua imagem de marca. O barco que é utilizado na classe Star é uma embarcação para dois tripulantes, com 6.9 metros de comprimento total e uma área velica total de 26.5 m², armado em sloop e com quilha fixa. Um barco Star tem condições para navegar graças às incontáveis opções de acerto para cada situação de água e de vento.

A classe Tornado

A classe Tornado

A classe Tornado é um barco à vela multi-casco, nomeadamente um catamarã (embarcação com dois cascos com propulsão à vela ou motor). O Tornado foi projetado por Rodney March, em 1966, em Inglaterra e chegou a ser uma classe olímpica de destaque. A sua última aparição nos jogos olímpicos foi no ano de 2008, em Pequim e, nessa altura, decidiu-se que esta classe não viria a incorporar mais as Olimpíadas.

O barco utilizado na classe Tornado é tripulado por duas pessoas, um proeiro e um timoneiro, cada um com um trapézio e a sua característica principal é a velocidade, chegando a atingir 56 km/h. Ele apresenta 6.1 metros de comprimento de casco, o tamanho da vela mestra é de 16.35 m2, da vela de proa 5.29 m2 e o seu peso total é de 155 kg.

A classe Vaurien

A classe Vaurien

A classe Vaurien surgiu em 1951 e foi apresentada pela primeira vez no Salão Náutico de Paris. Trata-se de uma embarcação que é muito apreciada e utilizada na Europa. O barco que é utilizado nesta classe apresenta 4.08 metros de comprimento total, 1.47 metros de largura, vela grande de 5.06 m² e um peso total de 95 kg. Em 2008, a área velica foi aumentada e alguns aspetos do casco foram melhorados, o que fez com que a performance desta embarcação subisse consideravelmente, superando em termos de rendimento a classe 420!

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